terça-feira, 22 de abril de 2008

O Trololó Anticapitalista

Não há capitalismo no Brasil.

É fácil escrever o contrário. Mais fácil ainda é denominá-lo como "injusto", "excludente" ou qualquer outro adjetivo que caiba no dicionário prático de nossa esquerda retrógrada. Para alguém chamar de "capitalista" a realidade econômica do Brasil é necessário que esse alguém esteja de má fé ou extremamente desinformado sobre o assunto. No Brasil, há ainda quem tente praticar o verdadeiro capitalismo. Esses poucos encontram adversidades intransponíveis, devido à própria realidade anti-capitalista existente por aqui.

Algum tempo atrás, Luiz Carlos Ruschel Gomes, em sua coluna, resolveu contar uma historinha fictícia para retratar as agruras do povo trabalhador em detrimento do lucro buscado pelo empresariado. É claro que se trata de discursinho fácil. O capitalismo jamais foi um tratado de igualdade social. Ao contrário. Seu maior mérito é ter na diferença entre os indivíduos a base para seu sucesso. E nesse caso não se pode esperar do empresário, coisa diferente da busca pelo lucro. Não esperemos solidariedade hipócrita. Não esperemos que um empresário se lance a um empreendimento buscando justiça social para os "excluídos". Não. O empresário busca o lucro. O emprego é a conseqüência disso. A melhoria social é conseqüência disso. Quando o meio empresarial lucra, lucramos todos por tabela. Seja pelos impostos pagos pelas empresas, seja pelo saldo positivo na balança comercial, seja no barateamento da produção de bens e serviços para todos.

Mas é mais fácil transformar o empresariado e o capitalismo nos vilões da história. É notório que no Brasil se denominar empresário pode ser mais mal visto do que se denominar bicheiro. Criamos uma cultura contrária ao empreendedorismo. Criar uma empresa, no Brasil, requer sangue suor e lágrimas, além de uma boa dose de paciência. Perdem-se meses em trâmites burocráticos na criação de uma empresa. E para se fechar ela, são necessários ainda mais meses de burocracia.

Aliado a tudo isso, temos o Estado ineficiente e sócio do atraso. Aquele que toma do empresário e dos cidadãos 40% de seus rendimentos, revertendo-os em corrupção, peleguismo e mais ineficiência. A toda esta realidade punitiva ao empreendedor, chama-se convenientemente de capitalismo. Em toda esta realidade punitiva ao empreendedor, o empresário que sai de um lugar para montar negócios em outro, em busca de vantagens, é tratado como desumano. Como destruidor de famílias e realidades sociais. É nada. O empresário busca melhores condições para continuar a produzir bens e serviços e, por que não, a lucrar. Do contrário, pela caridade e em nome dos bons sentimentos, verá seu negócio ir à bancarrota e os pobres funcionários se verão sem emprego da mesma forma. Economias diversificadas é que levam a prosperidade. Farroupilha demorou a seguir este caminho. Economias capitaneadas pela produção de apenas um produto tendem a se esfacelar com o tempo. Foi o que aconteceu com nossa cidade quando tivemos a saída da Grendene rumo ao Nordeste. Nossa economia, refém de um produto só, demorou anos para retomar o caminho certo. Em efeito dominó outras empresas de calçados acabaram quebrando. A alguns parecia conveniente culpar Alexandre Grendene pelo ocorrido, mas como empresário, ele só podia buscar o melhor para sua empresa, e foi o que fez. É mais fácil pinta-lo de vilão do que avaliar a falta de critério das administrações públicas que não incentivaram uma economia mais diversificada. Hoje, a cidade conseguiria absorver muito melhor o impacto da perda de uma grande empresa.

Equações complicadas como essas são parte do mundo capitalista. Alguns perdem e outros ganham. Os que perdem precisam buscar maneiras de voltar a ganhar e os que ganharam precisam buscar novas receitas para continuar ganhando. Não, este não é o discurso fácil de fazer, mas é o verdadeiro. O país, os estados e os municípios precisam entrar de cabeça no mundo da competição capitalista. Precisam se tornar atrativos para o investidor e para o empreendedor. De outra forma, continuarão a ver o desenvolvimento econômico fugindo para outras regiões. No entanto, não podemos continuar com o ranço anti-capitalista cultural que temos. Não podemos abominar o lucro. Não podemos temer o capital privado. Não devemos ignorar a força e capacidade do indivíduo. E por fim, não podemos nos apegar ao sentimentalismo piegas do mundo ideal. Ele se mostrou um fracasso completo onde foi levado a sério. O mundo real tem imunidade a devaneios coletivistas utópicos.

Por Guilherme Macalossi

Artigo publicado no jornal Informate

quinta-feira, 17 de abril de 2008

PSDB Na Briga

O PSDB de Farroupilha também pretende entrar na disputa pela prefeitura em outubro. A decisão foi tomada no último domingo, em reunião da Executiva municipal com o deputado federal Ruy Pauletti. O médico Edson Luiz Doncatto, que foi secretário de Saúde do prefeito Bolivar Pasqual (PMDB) durante três meses no início de 2005, já aceitou concorrer ao Executivo.

De acordo com Pasqual, o PSDB ainda ocupa três cargos de segundo escalão no governo municipal.
- Estamos contando com o PSDB na nossa aliança para a eleição de outubro - argumentou Pasqual à coluna ontem.

Reflexos

A confirmação da candidatura do PSDB à prefeitura de Farroupilha pode complicar ainda mais o já intrincado cenário eleitoral que se desenha no município.Os principais partidos de oposição ao governo Pasqual (PT, PDT e PSB) tentam costurar uma candidatura única exatamente para não dividir votos na disputa com o virtual candidato do PMDB, Ademir Baretta. Uma candidatura tucana pode até não tirar muitos votos do PMDB. Mas, numa eleição sem segundo turno, esses votos podem fazer a diferença para a oposição.

Matéria publicada no jornal “O Pioneiro”. Clique aqui para ler.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ano de Escolhermos Uma Nova Herança

Nesse ano de dois mil e oito comemora-se duzentos anos da chegada de D. João VI ao Brasil. Fugindo de Portugal que estava sendo invadido por tropas napoleônicas, o príncipe regente do trono português chegou ao Brasil com uma corte imensamente numerosa ,corrupta, perdulária e enfraquecida. Além dos muitos feitos de D João VI nesta terra como a criação do Banco do Brasil, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, as faculdades... Temos também heranças não tão saudosas. Primeiro porque ainda hoje estão correntes na sociedade brasileira bem como causando sérias conseqüências.

Uma dessas heranças foi sem sombra de dúvida a criação de uma sociedade extremamente corrupta, clientelista, patriarcal, e que ainda hoje, no século XXI, confunde os interesses públicos com privados, políticas públicas com políticas eleitoreiras, estado com governo e etc. Isso não desmerece por completo o reinado de D João VI no Brasil, mas sim serve de alerta para todos nós cidadãos que nesse ano vamos às urnas eleger mais um séquito de políticos que nos representarão nos poderes legislativos e executivos locais.

Devemos tentar mais uma vez separar o joio do trigo, a água do vinho, o vilão do mocinho. É difícil, eu sei, porque na maioria das vezes o lobo se veste de cordeiro, mas não devemos desistir. Devemos prestar atenção nos programas de rádio e TV que irão ao ar, mas também pensar bem nos partidos que se apresentam e que os candidatos representam. Afinal que tipo de partido queremos nos governando, fazendo gestão dos recursos públicos, criando projetos estruturantes para nossas cidades? Aqueles partidos de sempre que fazem a velha política a varejo de D. João VI que distribuía cargos aos “fieis amigos da corte e do digníssimo príncipe regente”, aqueles partidos que criam projetos sociais nas áreas da saúde e da educação com o pretexto de empregar parentes e amigos nas prefeituras? Aqueles partidos que fazem campanha política com a máquina publica entregando cargas de areia e tijolos nas casas dos “fieis amigos da corte...”? Entregaremos o dinheiro de nosso IPTU, de nosso ISSQN, de nosso ISS entre outros para que se distribua em cargos de confiança que nem têm perfil técnico para a área em que atuam? Para que se distribua a grupos isolados da sociedade de nossas cidades.

Precisamos pensar que tipo de governante queremos. Com toda a certeza não será um governante que confunda a coisa pública com a privada, que não confunda partido com governo, que não confunda gestão e projetos estruturantes com obras faraônicas e eleitoreiras... É preciso que encontremos um ou uns candidatos que não tenham outros interesses além de gerir a máquina pública em prol daqueles que mais precisam... Daqueles idosos que demoram em conseguir remédio na farmácia popular, daquele pai de família que está desempregado, daquela dona de casa que vive trancada em casa com os filhos com medo da violência... Que não tenham outro interesse senão pensar a cidade a longo prazo, fazer planejamentos estratégicos, investimentos sustentáveis a médio e longo prazo , que gerem emprego e renda e não só o clientelismo , paternalismo e assistencialismo que herdamos de D. João VI.

É meu caro colega eleitor, neste ano não teremos como fazer o que fez D.João que pressionado pelos franceses de um lado e de outro pelos ingleses optou em não apoiar nenhum nem outro simplesmente fugir para uma colônia tropical. Teremos que emitir uma opinião, um voto e escolher aquele candidato que realmente estará comprometido com uma nova política, uma nova maneira de fazer gestão pública, trabalhando no atacado e não só no varejo como vem sendo feito ,comprometido de vez com quem mais precisa mesmo que não sejam “fiéis amigos da corte”.

Prof. Diego Tormes
Professor da rede pública de ensino e secretário executivo do PSDB de Farroupilha