sexta-feira, 23 de abril de 2010

O terrorismo do PT, por Guilherme Macalossi




O poste de Lula foi largado à própria sorte. Em sua primeira viagem solo ele perambulou por Minas Gerais, escoltado por seus escudeiros na região. O petismo tenta desesperadamente demonstrar que Dilma pode ter vida própria além do alcance de Lula. Na mesma proporção em que se perde dentro de suas próprias construções retóricas desastradas, Dilma também tem uma capacidade incomum de macular a história do País para seu benefício próprio. Em ambos os casos ela consegue, mesmo distante de Lula, agir da mesma maneira que ele, mas não com a mesma habilidade. Mesmo que treine todos os dias jamais irá conseguir reproduzir o mesmo semblante de Lula. Aquele que mistura afetação com aparvalhamento. Dilma só consegue ser aquela tecnocrata fria.
O petismo sempre foi um sequestrador da história. Em Minas Gerais, Dilma deixou claro que o cacoete empulhador do partido continuará em ação. Ao visitar o túmulo de Tancredo Neves, liderança política cujo PT fez feroz oposição, Dilma declarou que ali estava enterrado um herói. Suponho que no futuro, os candidatos petistas também irão depositar flores no túmulo de FHC. Para o partido, os bons opositores são os que já morreram.
Os petistas farão qualquer coisa para vencer a próxima eleição. O ambiente político já começa a ser contaminado pelo terrorismo eleitoral que o partido costumeiramente promove. Em 2006, quando Geraldo Alckmin era o candidato, a cantilena entoada por Lula era a de que com Alckmin a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica seriam privatizados e que programas como o Bolsa Família deixariam de existir.
O jogo sujo a que Alckmin foi submetido, aliado com o poder de mobilização que o PT tem, graças a seus tentáculos espalhados no campo, no movimento sindical e nas universidades, ajudou a enterrar a candidatura oposicionista. Com Serra não será diferente. Com Aécio também não seria. E o fim do PAC, que na realidade jamais existiu, é uma das mentiras que serão espalhadas por aí.
Nunca acredite quando um petista falar de "campanha de alto nível" nas eleições. É um erro imaginar que o embate eleitoral se dará entre respeitosas forças políticas antagônicas. O PT, acima de tudo, não tolera a divergência e a perspectiva de deixar o poder. Dias atrás, Dilma acusou a oposição de ser “lobo em pele de cordeiro”. O PT já deu demonstrações do que é capaz no passado. A declaração de Dilma é só uma prévia do que eles farão do futuro.

Guilherme Macalossi é Bacharel em Direito.
Texto publicado no Jornal Informante em 09-04-2010.

Nenhum comentário: